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Talvez o Rock in Rio seja a tampa do caixão do Rock

Mais um Rock in Rio acontece nos dias 27, 28 e 29 de setembro e continua nos dias 3 a 6 de outubro de 2019, prometendo trazer muitas novidades como até um aplicativo dedicado ao evento, mas enfim, o que deveria

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(Foto: Lucas Tavares)

importar mesmo seria o Rock. E o que podemos dizer a esse respeito?

Ninguém pode negar que não haverá grandes clássicos como Iron Maiden,

Sepultura, Scorpions, bandas de renome e que representam muito bem a nação rockeira. Mas como todos já sabem o Rock in Rio no decorrer dos anos é só um nome, o nome de um dos maiores festivais de música do mundo, mas que engloba todos os estilos, cabendo de Ivete Sangalo a Karol Conka, o que a priori é bom quanto à diversidade, palavra politicamente correta que está sempre presente na boca da chamada “galera do bem“, da galera ativista das causas de minorias e tals.

IMGL1212-300x200 Talvez o Rock in Rio seja a tampa do caixão do RockA cidade Rock in Rio de fato será imensa e a cada edição fica maior, com muitos espaços como o espaço favela, por exemplo, sugestionando já pelo nome que tipo de música o expectador vai encontrar nesse espaço. Em suma, isso tudo nada tem de ruim, é a festa da diversidade e da inclusão, embora convenhamos que pelo valor do ingresso nem todo mundo possa ir de fato.

Mas gostaria de falar algo que não pode deixar de ser exposto como um cadáver, e esse cadáver é o rock como conhecemos nos anos 80. O Rock in Rio é a prova que o Rock morreu mesmo! Quem viveu nos anos 80 pode ver o poder que esse estilo musical tinha, os astros do rock pareciam deuses nórdicos empunhando suas guitarras, verdadeiras armas mágicas dos bardos dos deuses.

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No primeiro Rock in Rio marcado pelos excessos, selvageria e boa música onde tivemos milhares cantando Love of my life junto de Freddie Mercury parecia escrito que dali adiante jamais o evento poderia repetir esse verdadeiro encontro de Midgard com Valhalla. E nunca se repetiu mesmo!

Mas o evento está bem melhor, pelo menos não será em Lisboa, olha isso, IMGL1212-300x200 Talvez o Rock in Rio seja a tampa do caixão do RockRock in Rio em Lisboa, sim, essa esquisitice aconteceu. Bom, talvez nunca mais o Rock volte a ser o que foi um dia. E quer saber, foda-se! Quem viveu, viveu. Talvez minha idade revele um pouco de ressentimento, nem sou tão velho assim, mas a verdade é que os deuses do rock voltaram para a sua dimensão e os jovens de hoje talvez nunca estivessem preparados para um eventual retorno. Dito isso não há nada de errado com o Rock in Rio, afinal nem é um festival de Rock de verdade, embora no dia do rock, alguns brinquem de roqueiros de verdade, e roqueiros de verdade façam de conta que o Rock in Rio é um festival daqueles dos velhos tempos, onde havia festivais de Rock de verdade.

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

Max Castro

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

Um comentário em “Talvez o Rock in Rio seja a tampa do caixão do Rock

  • 11 de setembro de 2019 em 13:51
    Permalink

    Ótimo texto. Compreendo seu ressentimento. É difícil mais vivemos na cultura do capitalismo e quem manda é o dinheiro. Um evento com a história do Rock in Rio para quem sabe ou acompanhou o início do festival sabe que ele perdeu a identidade. Vivemos na flexibilização e apropriação cultural.

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