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Geni e o Senhor do Olimpo

Naquela manhã ensolarada na região de Meteóra estava Geni pegando água num rio próximo para os animais. Pensava ela sobre os últimos orgasmos que tivera há poucas horas, atrás do templo de Apolo. Um jovem que aspirava ser um Aedo, trovador de histórias, muito bom com palavras, mas ainda inexperiente com a língua.

Tanto que já pedira a Afrodite que lhe apaziguasse aquele furor pela carne. Aquela libido incontrolável. Ainda mais triste ficava por ter nascido com aquele presente… ou seria uma maldição? Ter a deslumbrante beleza de uma donzela, mas ter entre as pernas os dois sexos.

Vários rapazes se assustavam, a princípio, depois aproveitavam a facilidade com que a linda hermafrodita se entregava. Nestas aventuras algumas moças, sátiros, soldados e até heróis gregos vieram a gozar.

Mas ela tinha uma ambição maior. Ela queria um deus. Não podendo ser qualquer um deles, mas aquele que reinava sobre os outros.

Segundo oráculo, Geni estava predestinada a salvar seu povo de uma grande tragédia. Acontece que nem Geni sabia disso… Seguia seu destino espalhando muito prazer e curiosidade.

Uma única possibilidade de salvação… Geni deveria beber do néctar de Zeus. O sêmen sagrado do senhor do Olimpo. Mesmo sem saber que o peso de sua existência carregava a uma obra salvacionista, a jovem se deixava guiar pelas suas ambições lascivas, indo de encontro ao seus destino desenhado pelos deuses.

Geni era uma figura una e múltipla. Carregava em si a sabedoria de Atenas, a sensualidade de Afrodite, a rebeldia de Ares. Também trazia no seu mais íntimo o lirismo de Orfeu e a melancolia de Hades. Sem deixar de citar, evidentemente, a volúpia de Dionísio. Se considerava uma semi deusa. Mas era humana, demasiado humana.

Era um dia decisivo na pólis. Ânimos aflorados na ágora debatiam em clima de guerra quais rumos a cidade tomaria a partir de então. A democracia estava sendo exercida. Com todas as suas limitações, mas ainda assim, uma democracia.

Geni resolveu se abster desse cenário belicoso e na tentativa de fugir de tudo aquilo escolheu caminhar por terrenos antes desconhecidos. No meio da andança fazia algumas preces aos deuses. Geni nasceu no meio do povo e pedia ao panteão sagrado voz e vez aos seus pares. Odiava injustiças. E se preciso fosse daria sua vida em nome de uma causa maior. Geni, uma deusa, uma louca, uma sibila, uma heroína. Porém, mortal.

Sua vida já estava traçada e nessa trajetória disfarçada de acaso a jovem mulher se debruça a beira de um lago e percebe sua beleza já marcada pelo tempo. Lembra-se do jovem Narciso que de tão vaidoso se encantou por si mesmo e foi engolido pelo próprio ego.

Ela não era mais uma ninfa no auge da sua juventude. Mas uma mulher cheia de cicatrizes na alma e experiência o suficiente pra saber que existem belezas que os espelhos das águas não mostram.

Despindo-se da desordem social e das roupas que lhe sucumbem ao corpo, se joga nas águas quentes do lago. Com a prudência que Narciso não teve, Geni se banha entre os raios de luz que vinham das copas das árvores. Desejava um corpo junto ao seu. Não qualquer corpo, mas algo voraz. Algo que a consumisse por inteiro.

E qual não foi sua surpresa naquele dia em que ele chegou. Já conhecia algumas lendas das visitas eróticas que o Deus dos raios havia feito a algumas humanas, então nesse ponto estavam bem alinhados em suas intenções.

O olimpiano sobrevoou na forma de uma águia e pousou devagar por trás de um arbusto próximo. A alguns metros dali. Geni fingia que não percebera. Mas sentia os olhos do visitante lhe devorando a distância.

Com uma falsa malícia finge olhar para os lados como se certificar de que ninguém a espreitava, e recostando-se a uma pedra começou a se acariciar.

Em poucos minutos escuta passos se aproximando pelas suas costas e de surpresa sente um beijo quente em seu pescoço. Logo um braço musculoso lhe envolve e puxa sua cabeça para encontrar seus lábios num beijo.

O enlace se inicia, não havendo grandes performances, o olimpiano tinha muita fama, mas pouca resistência e em alguns minutos ela escuta os gemidos que preludem um orgasmo transcendente.

Com sua experiência audaz Geni se abaixa para receber o líquido masculino na boca. Iria conseguir seu intento. Logo estava com líquido quente descendo pela garganta enquanto ouvia os grunhidos de prazer do rendido Zeus.

Mal terminara, ela o olha e corre para as roupas que havia deixado na margem do rio. Tenta esconder a nudez com as mãos. Sente-se envergonhada. Mas de costas esconde um meio sorriso no canto da boca. Quando se vira e olha para o local onde a divindade estava só consegue ver uma águia voando ao longe.

Suas roupas também não estavam no lugar. Devia ter sido brincadeira maldosa de algum deus…

Geni fica confusa e volta ainda nua para a realidade de onde havia fugido. Triste realidade…

Todos a julgavam. Jogavam-na pedras. Geni foi acusada de abandonar a cidade e se entregar aos prazeres carnais justo no momento em que todos se degladiavam para a garantia de algo maior, a liberdade da pólis ameaçada. Um governo tirano se instaurava.

Tudo bem. Não iria começar a sentir remorso agora. Mas começaria a sentir uma mudança divina em sua vida. Pois a partir daquele momento após engolir o sêmen de Zeus, Geni adquirira grandes poderes que a permitiu ser uma nova mulher. Reconhecida a partir de então como uma heroína, a primeira de muitas. Heroína de si mesma. Dona de seus medos e desejos.

Geni não conseguiria salvar seu povo de grandes desastres e perigosas criaturas. Mas sabia da sua capacidade de autonomia e volúpia que uma mulher obstinada pode alcançar. E quanto mais se tornava mulher num ato heróico de resistência, mais cuspes e pedradas Geni precisava desviar para vencer sua principal batalha, a sobrevivência.

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