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Um garoto como Jake – Crítica

O que você faria se notasse que seu filho é transgênero? Neste drama familiar que trata sobre a descoberta de identidade de gênero por uma criança e a problematização enfrentada pelos pais, o diretor Silas Howard, também transgênero, apresenta uma narrativa sensível sobre mais do que esta temática.

O filme trata do casal Greg e Alex Wheeler, respectivamente vividos por Jim Parsons, conhecido por viver Sheldon Cooper na série “The Big Bang Theory”, e Claire Danes da série “Homeland”, que estão preocupados com a entrada do filho Jake, de 4 anos, numa escola particular por meio de uma bolsa.

A ambientação do filme vai se apresentando devagar numa narrativa que tentar ser sútil ao mostrar a dissonância de um marido psiquiatra calmo e introspecto em contraponto a uma esposa ex-advogada nervosa e intensa com seus sentimentos e ansiedades. Entretanto, até os 40 minutos de filme o casal não reconhece o ponto principal a ser discutido. Tal como um elefante branco no meio da sala, ou deveria ser um elefante rosa com lindas asas coloridas de borboleta, os Wheeler parecem negar reconhecer a necessidade de conversar diretamente sobre o comportamento e preferências do filho.

Utilizando de planos e contraplanos, câmera de mão, paisagens de fim de tarde num subúrbio de Nova York e trilha sonora com toques de piano ou dedilhar de violão, o diretor Silas Howard tenta criar um ambiente carinhoso onde uma criança inteligente apresenta sua revolta com a sua não aceitação por parte dos colegas por meio de desenhos e destruição de brinquedos.

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A partir deste mote o roteiro aproveita para explorar com sutileza as dificuldades do casamento, planejamento familiar, conflito intergeracional e bullyng na escola. A atriz Octavia Spencer, que vive a diretora lésbica Judy, fica com participações pontuais ao ajudar no enfrentamento do problema.

A atuação de Parsons não se diferencia muito de seu marcante personagem em “The Big Bang Theory”, se mostrando insossa. Fica para Claire Danes a emoção da personagem numa atuação que por vezes parece exagerada. Entretanto, nada que retire a atenção do espectador ao filme.

As cenas do restaurante e do casal trocando acusações na sala de estar merecem destaque por se mostrarem mais densas e dramáticas. O roteiro dá as personagens falas muitas vezes incompletas, onde parecem mais “atos falhos” de Freud, pois evidenciam os pensamentos ofensivos e não precisam concluir as frases, pois o estrago sentimental já fora feito.

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O filme também foi criticado pela pouca presença de tela do ator mirim Leo James Davis que vive Jake. Seja por leis americanas que só permite o trabalho de crianças por poucas horas ao dia, seja por decisão do diretor em focar os conflitos internos do casal Wheeler frente à situação, o garoto muitas vezes aparece como um vulto ou tem pouquíssimo tempo de tela em cenas que exigiam mais dele.

Mesmo tendo seus defeitos este é um filme que vale a pena assistir por discutir tópicos tão necessários do cotidiano. Num momento como este no Brasil onde uma ministra da família e direitos humanos fala que um menino tem que usar cor azul e menina cor rosa, a reflexão que o filme traz é muito pertinente. Mostrando que a compreensão e apoio na família são extremamente importantes para o desenvolvimento de qualquer criança.

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CEO, Founder, Motoboy e auxiliar de serviços gerais no EagoraCast Podcast. Memezeiro, escritor, pai e amigo de um magote de fuleiro.

Jonnathan Freitas

CEO, Founder, Motoboy e auxiliar de serviços gerais no EagoraCast Podcast. Memezeiro, escritor, pai e amigo de um magote de fuleiro.

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