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Crítica sobre o Filme ScarFace (1983)

Interesse pelo que há de humano em meio ao crime faz da obra muito mais do que um thriller qualquer.

Excessos. De certa forma, é esse o tema central que passeia de maneira Tony_Montana_008-scarface-212x300 Crítica sobre o Filme ScarFace (1983)cortante pelo universo de Scarface, talvez o filme mais conhecido e comentado de Brian De Palma. Mas o que poderia ser apenas um thriller banal sobre criminosos em busca de dinheiro acaba se revelando, na verdade, como um retrato obcecado de pessoas que decidiram ganhar a vida através do crime. E é exatamente o substantivo “pessoas” que faz total diferença aqui.

Inspirados pelo longa metragem: Scarface — A Vergonha de Uma Nação (Scarface, 1932), De Palma e Oliver Stone dão vida a um roteiro que, curiosamente, acaba ecoando muito mais os dilemas de O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) e sua trilogia do que os percalços enfrentados pelo mafioso Al Capone, principal referência de Howard Hawks no original.

Um criminoso cubano exilado (Al Pacino) vai para Miami e em pouco tempo está trabalhando para um chefão das drogas. Sua ascensão na quadrilha é meteórica, mas quando ele começa a sentir interesse na amante do chefe (Michelle Pfeiffer) este manda matá-lo. No entanto ele escapa do atentado, mata o mandante do crime, fica com a amante dele – mas, simultaneamente sente desejos incestuosos por sua irmã (Mary Elizabeth Mastrantonio) – e assume o controle da quadrilha. Em pouco tempo ele ganha mais dinheiro do que jamais sonhou. No entanto, ele está na mira dos agentes federais, que o pegam quando ele está “trocando” dinheiro. Seu problema pode ser resolvido se ele fizer um “serviço” em Nova York para um grande traficante e pessoas influentes, que podem manipular o poder para ajudá-lo. Porém, a missão toma um rumo inesperado quando, para concretizá-la, ele precisa matar crianças.

Tony_Montana_008-scarface-212x300 Crítica sobre o Filme ScarFace (1983)Dessa forma, momentos como o súbito desespero por conta de crianças que podem sucumbir por sua culpa ou um antológico desabafo depois de um desastroso jantar fazem de Tony Montana um personagem odiável que, ainda assim, surge completamente capaz de conquistar nosso interesse e até mesmo nossa (parcial) compreensão. Quem não deseja, afinal, alcançar sucesso na vida a ponto de ter tudo que quer, do jeito que quer e ao lado de quem quiser?

A questão é que essa pessoa com desejos tão humanos encontrou apenas no crime a maneira de alcançar esse objetivo, fato que faz da abordagem quase antropológica de De Palma uma escolha acertada para um filme que jamais deixa de ser claro quanto ao que deseja mostrar.

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

Maísa Costa

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

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