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ENEM: Democratização do acesso ao Cinema

No último domingo (03/11) foi o primeiro dia de provas do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), milhares de estudantes disputaram a almejada vaga na universidade pública ou privada através do Programa Universidade Para Todos (ProUni). Tradicionalmente há uma grande expectativa em relação à proposta de redação. Este ano o tema foi sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil. E para você o acesso ao cinema no Brasil é democrático?

jovens-300x200 ENEM: Democratização do acesso ao CinemaPara essa que vos escreve não, e está longe de ser pelo menos no que se refere aos preços dos ingressos. Segundo o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) no Brasil há 13,2 milhões de brasileiros que vivem na pobreza extrema (renda de R$ 140,00 R$) e 56,8 milhões na pobreza com renda de até R$ 406,00.

Como uma família considerada pobre pode ir ao cinema cujos preços dos ingressos variam entre R$ 14,00 e R$ 30,00? Até mesmo os valores de lanches tradicionais consumidos no cinema como pipoca e refrigerante tem seus preços elevados em comparação ao preço de lanchonetes. Aos com poucos recursos financeiros resta aguardar o dia do preço promocional (em algumas salas) que geralmente é num dia útil e com ingresso disputado devido a grande demanda, ou seja, algo restrito.

Deste modo num país de grande desigualdade social ir ao cinema é uma atividade considerada rara para algumas pessoas. Há ainda uma parcela dejovens-300x200 ENEM: Democratização do acesso ao Cinema amantes da sétima arte que não abrem mão do lazer e faz um malabarismo para manter o cineminha no orçamento.

Em relação ao acesso de pessoas com deficiência, embora previsto no Estatuto da Pessoa Com Deficiência (Lei 13.146/2015) ainda não há como mensurar se todas as salas de cinemas no país se encontram com acessibilidade, por experiência própria vejo que não são todas as salas.

Falando sobre acesso a produções, ainda prevalecem no mercado cinematográfico brasileiro as produções hollywoodianas e brasileiras. Quem deseja conferir uma produção mexicana, argentina, italiana, ou de outro país, por exemplo, é necessário realizar uma verdadeira busca e isso se tratando de capitais, nas cidades do interior encontrar essas obras é bem mais difícil, falando em interior cabe destacar que muitas cidades não tem sequer uma sala de cinema.

Como se vê o acesso ao cinema brasileiro ainda não é democrático, contudo, podemos afirmar que melhorou em alguns aspectos. Há cidades com projetos de cinema acessível, ressalta-se, por exemplo, aqui em Fortaleza-CE o Cine São Luiz apresenta programação com preço acessível e gratuita, porém os filmes não são lançamentos. Quem sabe agora depois desse tema e analisando o que os estudantes escreveram esse processo de democratização realmente se concretize.

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Insistente social, militante de Direitos Humanos, amiga, feminista. Tentando o equilíbrio entre força e sensibilidade, por fora tranquila por dentro ninguém saberá.

Laicia Farias

Insistente social, militante de Direitos Humanos, amiga, feminista. Tentando o equilíbrio entre força e sensibilidade, por fora tranquila por dentro ninguém saberá.

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