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O Ranzinza Schop sorri – 2ª parte

Sobre a filosofia de Schopenhauer sobre felicidade.

Vimos na primeira parte como Schopenhauer compara nossa eterna busca por contentamento a um pêndulo que oscila entre o desejo e o tédio. Alguns concordarão que esse ponto de vista é bastante sagaz, outros dirão que só é a fala de alguém ressentido, afinal, como foi a vida de Arthur Schopenhauer? Então, obter informações sobre sua vida pode lançar luz sobre sua filosofia? A partir de agora vamos investigar alguns fatos da vida desse pensador que faz parte do grupo dos filósofos chamados pessimistas e analisar se eventos fortuitos influenciaram sua filosofia.

Schopenhauer nasceu em Danzig na Polônia no dia 22 de fevereiro de 1788, filho de Heinrich Floris e Johanna Schopenhauer, uma escritora e um comerciante que para os padrões do séc. XIX viviam confortavelmente, não quero me aprofundar na biografia de Schop, mas os fatos importantes a serem mencionados por hora seriam o relacionamento difícil com seus pais, principalmente com a mãe, que talvez por ser uma escritora medíocre descontasse suas frustrações no filho, que cresceu sem aprofundar laços afetivos com a mãe.

Já o pai também dedicava pouco tempo ao filho, sempre atolado no mundo imagesca76sb6b O Ranzinza Schop sorri - 2ª partedos negócios, querendo que seu filho seguisse sua profissão. Mas vimos que não deu muito certo, talvez isso contribuiu bastante para que também a relação de Schop com seu pai fosse também muito abalada. Uma vida de viagens evitou que o jovem tivesse uma infância comum, e também na vida adulta o homem Schopenhauer sempre teve dificuldades em lidar com objetivos infrutíferos na academia, sem dúvida o presumível suicídio de seu pai em 1805 e mais tarde um incidente coroaria suas desventuras.

Em 1821 foi condenado a pagar 300 thalers de indenização para a senhora Caroline Louise Marquet, pois Schop a empurrara de uma escada num momento de sobressalto, pois essa mulher junto com outras fofoqueiras costumeiramente importunavam o filósofo por conta de sua vida boêmia e depravada. Depois Schopenhauer ainda pagaria 60 thalers anuais enquanto a mulher vivesse, o que resultou num quadro bastante depressivo para o nosso anti-herói, pois ele considerava injusta tal condenação, Caroline viveu por mais vinte anos após o ocorrido!

Tudo isso, somado a uma competição com Hegel por alunos e reconhecimento na faculdade de Berlim, tantos traumas, pode ter sim feito de Schop um homem amargurado, mas houvera muitos fatos positivos também. Schop não era um homem qualquer e tanto é que seus trabalhos até hoje são reconhecidos. Seu clássico “O mundo como vontade e representação” de 1818 fulgura entre os intelectuais.

Ressentido? Uma de suas frases mais icônicas diz: “O amor nada tem a ver com a felicidade!” O enunciado acima mostra-nos um homem amargurado demais para amar? Uma breve análise provará que não, pois o tema central da filosofia de Schop é exatamente amar genuinamente, o amor genuíno é independente, segundo a filosofia de Schop. E analisando a analogia do pêndulo que oscila entre o desejo e o tédio, há algo de positivo no meio do caminho, sim, repare que há um encontro, entre o desejo e o tédio há a conquista do objeto desejado. Entre o desejo do banquete e a saciedade do banquete tem o encontro com o banquete!

Schopenhauer foi muito influenciado pela filosofia oriental, estudou profundamente os Upanichadas Hindus e isso também influenciou sua filosofia, a analogia do pêndulo denuncia uma transitoriedade da vida, mas não sua inutilidade, porque de fato nada é eterno. Existem muitos aspectos da filosofia de Schopenhauer a serem analisadas. Por hora resolvi apontar que Schop era gente como a gente, com suas dores, suas contradições, suas derrotas e conquistas, talvez mais dores e derrotas fizessem parte de sua vida, mas sua filosofia contribui para que pensemos no que realmente desejamos, o que realmente vale a pena ser almejado, e que devemos aproveitar os encontros de quando a vida vale a pena.

Agora é hora do tio Schop voltar a dormir e você começar a acordar, até a próxima.

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

Max Castro

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

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