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Quem foi Henrietta Lacks?

Henrietta Lacks foi uma mulher afro americano, muito pobre, que morava em Baltimore, Maryland, EUA. Trabalhava numa fazenda de tabaco. Em 1950 ela começou a sentir fortes dores achando inicialmente que estava grávida de seu terceiro filho, entretanto após algum tempo sentiu crescer uma espécie de caroço na região do útero.

Henrietta relutou em contar tais fatos à família e após algum tempo suahlacks-300x177 Quem foi Henrietta Lacks? gravidez se confirmou e ela então deu à luz a um menino, o que não impediu o caroço de crescer. Começou a passar por rotineiros sangramentos e dores fortes que não cessavam. Levando a pobre mulher a procurar um ginecologista.

Então no hospital Johns Hopkins, que era o único hospital que atendia mulheres negras na época, ela foi atendida pelo médico Howard W. Jones que nos exames preliminares verificou que o caroço só de encostar já sangrava. Eliminando uma série de outras doenças e após analisar a biópsia, foi dado o diagnóstico de câncer de colo de útero.

Com um estágio muito avançado do câncer, Henrietta foi submetida a vários procedimentos radioterápicos para tentar curá-la e durante os tratamentos foram retiradas amostras de tecido do colo do útero, não afetado pelo tumor e um do próprio tumor. Essas amostras foram enviadas para outro médico, George Otto Gey, que era um médico pesquisador do próprio hospital. Essas amostras foram retiradas sem conhecimento e autorização da paciente.

Após um longo período de tratamento, em 4 de Outubro de 1951 Henrietta Lacks veio a falecer, sendo constatado por autopsia que o câncer já havia se espalhado por todo seu corpo. Causando assim um tipo de falência múltipla de órgãos e sistemas, como foi o caso dos rins e sistema urinário, motivo da morte.

Mas qual o real motivo dessa mulher ser importante para a história e ciência? Bem, Henrietta Lacks tinha uma particularidade genética incrível. Suas células, mesmo após 68 anos de sua morte continuam a se multiplicar como se estivessem respondendo a um estimulo orgânico, podemos assim dizer. Quando teve acesso a amostras celulares de Henrietta, o médico George Otto Gey, observou que existia ali algo interessante e intrigante.

hlacks-300x177 Quem foi Henrietta Lacks?As células normais não tinham nada de especial, suas divisões eram normais e atendiam ao Limite de Hayflick, que nada mais é que um parâmetro que está ligado a quantidade de vezes que uma célula pode se dividir sem perder informação, ou seja, a cada divisão partes dos cromossomos é perdida tornando as novas divisões impossíveis sem esse material genético, até cessar esse processo.

Ocorre que quando o pesquisador foi analisar as células cancerígenas ele teve uma surpresa, as células na cultura não paravam de se reproduzir e em uma velocidade muito superior à normal. George acabara de descobrir a primeira linhagem de células imortais.

Com o passar da pesquisa foi observado que nessas células cancerígenas de Henrietta havia mutações particulares que conferiam a elas essa condição de se multiplicarem assim com tamanha velocidade. Uma dessas mutações era ligada a enzima Telomerase que não permitia os cromossomos perder partes na divisão celular, era como se essa enzima regenerasse esse material celular que poderia ser perdido no processo.

Essas células que não parava de se dividirem foram batizadas de HeLa Cells, abreviação direta das sílabas iniciais de Henrietta Lacks. A família, os filhos no caso, só soube desse fato que envolvia a pesquisa com matéria genética da mãe quando depois de comercializado para vários centros e pesquisas um pesquisador ligou para a família pedindo amostra de sangue dos filhos para fazer análises.

Vários estudos no mundo todo foram feitos e estão sendo feitos a partir das culturas das HeLa Cells, pois essas células se reproduzem muito rápido e hlacks-300x177 Quem foi Henrietta Lacks?precisam de baixa taxas de nutrientes para crescerem. O início de vários estudos sobre o câncer tiveram como ponto de partida os estudos delas, por ser fácil entendimento como foi o caso do descobrimento dos mecanismos de infecção de tecidos saudáveis pelo vírus HPV através de estudos das HeLa Cells que foi o caso da  própria Henrietta Lacks. Ela teve HPV. Esse vírus entrou no seu organismo e a partir de algum tipo de mutação muito especifica esse vírus alterou seu genoma dando origem ao que viria ser um tumor com células imortais.

Outra aplicação importante para a saúde pública foi a descoberta da vacina da Poliomielite, descoberta em 1953 a partir de estudos com HeLa Cells. Métodos de clonagem celular foram desenvolvidos a partir de HeLa Cells. Muitos experimentos ao longo da história da medicina, farmacologia, biologia e genética foram desenvolvidos com estudos de células de Henrietta, como teste de vacinas para HIV, teste com outros tipos de câncer e na indústria de cosméticos. O estudo dessas células é tão vasto e difundido que estimativas falam que 15% de culturas celulares mundiais estão contaminadas com HeLa Cells. Isso não é oriundo de erros em procedimentos e sim do fato que a reprodução dessas células tende a ser muito mais rápido que células comuns.

A história de vida de Henrietta Lacks foi contada no livro de Rebecca Skloot, A Imortal Vida de Henrietta Lacks. Rebecca é uma bióloga com pôs hlacks-300x177 Quem foi Henrietta Lacks?em escrita não ficcional e hoje atua como escritora da área de medicina e biologia. Rebecca ficou sabendo das HeLa Cells em uma aula de biologia e ficou fascinada com a história e começou uma pesquisa sobre esse caso raro. Mas sem encontrar nenhum material sobre a Henrietta Lacks, Rebecca Skloot começou sua pesquisa com financiamento próprio e após mil horas de entrevistas com a família, médicos e pesquisadores ela então escreveu a biografia baseada em estudos científicos e com uma linguagem muito fácil para leigos diante de tantos termos e dados científicos.

O livro além da biografia contem partes muito ligadas à legislação, quando abordam patentes e direitos de propriedades e pesquisas cientificas ligadas ao desenvolvimento de inovações. A história de Henrietta Lacks também virou um filme, como mesmo nome do livro, sendo uma adaptação do mesmo, que tem como protagonista nada menos que Oprah Winfrey, interpretando uma das filhas, Deborah Lacks, que na trama luta por direitos referentes a bilionárias pesquisas envolvendo as células da mãe. A direção fica por conta de George C. Wolfe, mesmo diretor de O Diabo Veste Prada, 2006. Assim fica a indicação dessas duas obras, o livro e o filme, para quem busca conhecer mais sobre essa personagem importante da ciência, que foi imortalizada.

Ex aluno da Casa Kame, mestre de obras da reforma do QG dos Vingadores e nortenho porque me lembrei.

João Ferreira

Ex aluno da Casa Kame, mestre de obras da reforma do QG dos Vingadores e nortenho porque me lembrei.

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