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Análise do filme “A Cor Púrpura”

A Cor Púrpura é uma história de racismo, opressão e os meandros da violência contra a mulher. O livro de Alice Walker é escrito em formato de cartas que a personagem central (Celie) escreve para Deus contando seu dia a dia: “… o Deus para quem eu rezo e para quem eu escrevo é homem. E age igualzinho ao outro homem queu conheço. Trapaceiro, isquecido e ordinário. Ela falou, Dona Celie, é melhor você falar baixo. Deus pode escutar você. Deixa ele escutar, eu falei. Se ele alguma vez escutasse uma pobre mulher negra o mundo seria um lugar bem diferente, eu posso garantir.”

Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), umathe_color_purple_poster-199x300 Análise do filme "A Cor Púrpura" jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a “Mister” (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.

O filme A Cor Púrpura recebeu 11 indicações ao Oscar e colocou sob os holofotes atrizes negras como Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e Margaret Avery, em um protagonismo cheio de carisma e talento.

As cartas são como ponto de reconexão, uma forma de autoconhecimento, de dizer que a mulher está ali, presente, pulsando, escrevendo. É através da escrita que temos a localização e a posição desses personagens no mundo, é através de sua história que Celie luta contra a violência e o poder. A escrita é resistência.

A força da representatividade da narrativa voltou aos holofotes quandothe_color_purple_poster-199x300 Análise do filme "A Cor Púrpura" Lupita Nyong’o ganhou Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2013 e discursou sobre o filme e a importância da autoestima e do empoderamento de pessoas negras. “A primeira vez que pensei que poderia ser atriz foi quando vi A Cor púrpura. Whoopi Goldberg se parecia comigo, ela tinha o cabelo como o meu, ela era escura como eu. Eu tinha estado carente de imagens de mim mesma. Eu nunca poderia ter imaginado que o meu primeiro trabalho seria tão poderoso e que me tornaria uma imagem de esperança, da mesma forma que as mulheres de A Cor Púrpura foram para mim.” Precisa falar que mais histórias assim precisam ser contadas?

É preciso lembrar sempre sobre a fragilidade e mesquinhez humana e isso é retrato nas relações de ódio e poder vividas numa sociedade americana marcada por desigualdade de gênero e classes sociais, além de preconceito contra etnias. Em um universo misógino, tanto o livro quanto o filme não apenas representam a primeira metade do século XX, mas o que acontece naquela época ainda está presente hoje. O ódio que se semeava naquela época ainda é o ódio que se semeia hoje, com camadas algumas vezes sutis, outras explícitas. Como mudar esse cenário? Falando, lendo e vendo sobre ele, desmistificando, quebrando paradigmas.

 

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

Maísa Costa

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

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