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Análise do filme “Instinto Selvagem”

A sensação de perigo é o que nos define?

Por que o nu nos constrange? Uma arma de manipulação? O clímax de um prazer é um perigo e assim institivamente aumentamos o instinto selvagem mesmo sendo racionais?

Instinto Selvagem é ambientado em São Francisco e mostra a obsessão de um detetive de passado fraturado por uma loira misteriosa. Em linhas gerais, remete claramente a Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock.

Catherine Tramell (Sharon Stone) é uma escritora extremamente sedutora e principal suspeita de um assassinato. O policial Nick Curran (Michael

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Douglas) é incumbido de desvendar o crime, contudo os fins não foram como de costume, como se estivesse em uma alta pista cheia de curvas, literalmente. Depara-se com vícios manipulações, mentiras, suspensão da descrença. O fato é que aquele homem de carreira medíocre desperta em meio ao caos e medo simultaneamente. Então melhor seria a sensação de perigo? Tenho minhas dúvidas.

Pois bem, A primeira cena de Instinto Selvagem condensa bem o espírito desse neo-noir dirigido por Paul Verhoeven. O sexo, movimento intenso que precede o gozo, é rondado pela iminência do crime, este consumado após a mulher, por cima, assassinar a golpes de picador de gelo o ex-roqueiro de mãos atadas na cabeceira da cama. Morte e sexo, assim, desde o início, andarão juntos numa narrativa que alude ao cinema de Alfred Hitchcock ao mesmo tempo em que o subverte por incorporar o sexo (em Hitch tão velado) de maneira mais intensa.

Catherine é uma autêntica femme fatale, apenas com a ressalva de que poucas vezes se duvida de sua vilania, já que ela própria não a dissimula. Mas estaria ela alimentando outra fantasia, além da sexual, a de que poderia ser assassina? Então, mesmo obviamente culpada, nos parece, lá pelas tantas, inocente ou vítima do nosso julgamento apressado.

Não há qualquer conspiração aparentemente prestada e relevante em Instinto Selvagem, o filme é todo calculado para aditivar o suspense de uma sexualidade feminina latente, tão forte que se configura em ameaça real ao dominante universo masculino. E mais uma vez estamos aí expondo um produto de forte marketing comum para a década que foi trabalhada. Uma tendência que ao mesmo tempo se introduz até hoje na enquete tabu: o sexo mesmo em luz provoca atenção e culpa.

Simplesmente, um ato de natureza humana é por várias vezes tratada com irrelevância subconsciente, o instinto selvagem que temos no próprio sexo nos cerca de maneira cinematográfica, um místico jogo da era de ouro de Hollywood: psicológico-dramático.

Aqui cabe colocar que Catharine não os atrapalha nas investigações ou mesmo nos interrogatórios, é mais uma vez o desconcerto interior da sensação de perigo que a personagem tem a deparar-se com a teia que esteja envolvida e que ela mesma criou para a realidade apresentada. Assim, mesmo sendo um tema de filme bem colocado, brinca com o lúdico nas cenas que passam para a sedução.

Definir-nos-íamos apenas por este fascínio da natureza, a esquiva, o perigo. Ora, meus caros. Não tememos. Assim dizia aquela canção de Veloso e Gil: ”É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”, que se aprofunda aqui.

A Loira, já fatal, explora o tempo de forma graciosa, de passos leves e saltosdouglas-195x300 Análise do filme "Instinto Selvagem" altos. Forte como uma poderosa Heroine Chic, desvala a trama como ninguém, interpretada por Sharon Stone, atriz de excelente destaque para época e muito bem escolhida para a trama. Detém-nos como um hipnotismo subliminar pela trama e desprendimento do caráter lógico, mas de grandes surpresas em suas curvas na estrada de Nick.

Onde está a razão nas consequências de Nick depois de manipulado e hipnotizado por Catherine? Estratégia dela? Não, apenas uma armadilha do próprio cérebro que alia a lances visuais tão presentes no filme, mesmo com fotografia média, mas alta para a época a ser produzida, transborda para o telespectador a mesma sensação.

Lembre-se, o perigo seduz a razão para alcançar seus objetivos e nos furta as emoções, fazendo a nós encenar ludicamente as consequências da situação ou da realidade inserida. Em meio aquela escuridão, Nick não sabia lidar com a aura de Catharine que clamava por mãos fortes em seus seios, transfigurando apoio e ao mesmo tempo o uso de sua prática para fantasiar um novo romance a se tornar a obra prima de sua autoria.

Veremos quem sabe, com a velocidade que avança contra nós, se é preferível agirmos ou deixarmos seduzir pela curiosidade do não agir? Enfim, o filme é um verdadeiro toten de longa metragem, que nos convida a refletir com instinto sensato, que por algumas vezes nem sempre é confiável nos colocar em perigo.

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

Maísa Costa

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

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