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Análise de “A Vingança está na Moda”

Todas as pessoas, ou quase todas, esperam superar seus traumas, justificar o amor para com as outras e fazer justiça a acasos da vida. Parece uma equação, uma fuga de rota pronta para ser utilizada não é mesmo?

Mesmo para Tilly (Kate Winslet) as coisas não são bem ”plissadas” assim. Depois de regressar a sua cidade natal para tentar se reconciliar com a mãe e se vingar de algumas (ou todas) de seu passado, percebe que certas razões permeiam a sedução para uma paixão repentina, que acaba paralisando-a e a fazendo refletir sobre suas escolhas.

Além de aturar as madames entojadas, que na verdade são peruas que acham que estão antenadas as existências da época. Embora tudo que fosse moderninho saísse em revistas da época, onde o tempo em que estavam lendo, já não era o mesmo naquela cidadezinha pacata, no interior da Austrália. Tilly encena muito bem, se quiser permanecer ali e fazer a saia rodar.

Mal sabe Tilly que já estava se “vingando” por assim dizer, trazendo o que the-dressmaker-movies-on-the-mountain-213x300 Análise de "A Vingança está na Moda"se tinha de mais moderno pelo mundo, após uma temporada, ou em outras palavras uma vida toda. Voltou madura, atenta, sagaz, de saltos altos e modista (estilista, nos termos de hoje). O que já era de tom agradável para a situação vingadora. Mas ela queria mais, estupidamente mais! E como toda mocinha de trama (ou seria vilã?) Tombou em belos olhos e nadou naqueles azuis couraçais.

Aí está a “quebra” do enredo do filme, altamente racional e compreensivo para o telespectador, nos deparamos com um disco de Billy Holyday tocado e ouvido ao paladar de uma bebida, em que Tilly presencia e vive mesmo aos prantos.

Desse modo, Tilly, a real “existencialista”, tão forte para a década de 1950 (contracultura) decide impulsionar cada pessoa envolvida em seu caminho durante a estadia naquela cidade, durante aquele tempo, de forma altruísta e generosa. Para assim tomar tudo o que foi dado, uma divina comédia, eu diria. Dante ficaria contente assistindo a tudo isso.

Com a ajuda do amigo e sargento Farrat, consegue ter válvulas de escape nas longas conversas e goles e mais goles de álcool. Quem nunca? Segundo ele é aconselhável que a Rainha dos condenados pise lentamente no chão fino e permaneça solícita ao seu próximo.

Assim tirará de letra o que quiser de seus inimigos sem sofrimento e com direito a coroa. Para isso é preciso paciência, razão e experiência. Ou seria melhor colocar moderação, maldade e elegância? Assim, despretensiosamente? Quem diria, Tilly estava lendo o impublicável Maquiavel para mulheres.

O fato é que Tilly não conseguiu ao longo de todo esse tempo superar a injustiça cometida, o erro que os outros a forçaram a carregar por toda uma vida. Uns deixariam para lá, outros não. A protagonista era diferente. Num tom de vermelho excepcional nos lábios conseguiu dizer apenas: que se dane! E submete-se a uma montanha russa de emoções, quando tem que lidar com o estado de abandono que a mãe se encontra, por puro desdém daquela isolante sociedade que a expulsara. E como falar de Teddy? É melhor assistir.

the-dressmaker-movies-on-the-mountain-213x300 Análise de "A Vingança está na Moda"

O trabalho de fotografia é excelente e o desfile de alta costura em meio ao deserto torna-o magnífico. Lindo de ver, lindo mais ainda ver Tilly “rindo” de tudo isso. No que toca a direção, essa bagunça não chega a ser surpresa: Jocelyn Moorhouse teve uma recepção moderada com seu primeiro filme, A prova de 1991, no qual Hugo Weaving fazia um fotógrafo cego. Mas nunca conseguiu reunir novamente a mesma boa vontade em torno de suas produções americanas seguintes. Colcha de Retalhos (1995) com Winoma  Ryder  e Terras Perdidas (1997) com Jessica Lange e Michele Pfeiffer. O roteirista de A vingança está na moda P.J Hogan já fez melhor: em Casamento de Muriel, 1994, foi um dos grandes sucessos da nova onda australiana que estava surgindo então. Em tese, seu estilo sátiro-fabuloso serviria bem ao enredo de A Vingança está na moda. Na prática a absoluta falta de estilo do filme invalida essa presunção.

O que se pode esperar é grandes nuances de alcance das personagens nas cenas entre telespectador e obra. Caminha-se para um norte e de repente toma-se um susto: quebra de expectativa. Algo que pode agradar ou não o telespectador. Mas não se preocupem, as cenas de sangue são as melhores. Sem contar os declínios de “temperatura” do filme, altos e baixos de emoções para cada cena, entra e sai cena, um teatro filmado!

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

Maísa Costa

Estudante de Tecnologia em Processos Químicos, Amante de Cultura Geek e Cinéfila de Carteirinha.

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