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Livre como um passarinho

Meu pai gosta de criar canários que são permitidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). Quando tinha 11 anos, minha função doméstica era trocar a água dos pássaros, algo que detestava, pois já naquela época defendia a liberdade em todos os aspectos. Olhava para eles e pensava em quão triste deveria ser ter asas e não poder voar. Não conseguia ver normalidade nessa cultura nordestina tão popular. Manter um pássaro preso pulando de um lado para outro, só para ter o prazer de ouvi-los cantar.

Questionava papai sobre essa atitude e sempre me respondia que era uma tradição e que era gostoso o som que produziam, mas para mim só conseguia compreender que existia muito egoísmo envolvido.

Por muitas vezes, corria o risco de levar uma bronca, deixava a porta da gaiola aberta de propósito para eles fugirem, mas isso não acontecia, o que me irritava. Como uma criança ariana ficava revoltada com a atitude deles. Percebi que eles estavam tão acostumados em cativeiro que não se adaptavam a vida em liberdade.

Há pouco tempo estava observando os dois canários que meu pai ainda cria, Bibiu e Trump (esse é idoso), observo a semelhança dos pássaros acostumados a viver na gaiola com seres humanos ao se adaptar com uma situação ruim. Existe uma tendência nas relações sociais de naturalizar, normalizar o que não é normal. Tudo é relativizado.

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Retornando aos pássaros e meu pai, um dos argumentos dele é que na gaiola eles têm comida e água. Ora se na realidade social a expressão “pelo menos” em contrapartida é um argumento muito utilizado nas relações afetivas, trabalho e sociedade.

É claro que tudo há um lado bom e ruim, nada é perfeito, mas o que reflito neste texto é sobre algo que é imprescindível: A vida, o amor é ninho ou gaiola? Viver com liberdade, dignidade e respeito.

Insistente social, militante de Direitos Humanos, amiga, feminista, assistente e Insistente social. Tentando o equilíbrio entre força e sensibilidade, por fora tranquila por dentro ninguém saberá.

Laicia Farias

Insistente social, militante de Direitos Humanos, amiga, feminista, assistente e Insistente social. Tentando o equilíbrio entre força e sensibilidade, por fora tranquila por dentro ninguém saberá.

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