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Vocês que fazem parte dessa massa…

Nunca a busca pela individualidade foi tão grande, ao mesmo tempo em que todo mundo está inserido em algum grupo e mesmo que involuntariamente, notamos que as pessoas procuram seus pares e se organizam em nichos.

Assim, o indivíduo termina por ser diluído no oceano do senso comum. As pessoas odeiam admitirem que lá no fundo gostem de se socializar, como diria o historiador Eric Hobsbawn.

Pessoas a lá Schopenhauer realmente são raras, mas isso é fácil de explicar, os humanos são seres sociais, a capacidade de socializar nos habilitou a sobreviver na pré-história, viver em comunidade é natural para nós. Sem essa característica dificilmente chegaríamos ao nível tecnológico e cultural em que estamos, pois muitas das coisas que temos hoje só foram pensadas justamente para esse fim, ou seja, socializar, como a internet por exemplo.

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Mas ao mesmo tempo em que podemos realizar coisas impressionantes, há uma armadilha em nos tornarmos só uma massa uniforme e perdermos a individualidade que também é necessária para a existência dessa mesma sociedade. É paradoxal, mas não há outra forma de tentar explicar, a sociedade existe e será próspera com a preservação do indivíduo e o bem estar dele. E isso em todos os sentidos, inclusive no sentido intelectual, sem o surgimento de novas ideias não há inovação, e sem inovação não há o homem. Humano e inovação são palavras que andam juntas porque para nos adaptarmos é preciso inventar coisas, inovação/humano/adaptação, nesse tripé se equilibra a manutenção de uma fusão social.

Zigmunt Balman em seu livro Modernidade Líquida revela isso de forma surpreendente, todo mundo está liquidificado, fazendo parte de um mesmo corpo, no entanto essa massa não é rígida, sempre está mudando. Isso se deve por que os humanos são mutáveis, voláteis.

Sendo assim não deveria fazer sentido algumas formas de pensar o mundo como, por exemplo, o Conservadorismo. Com certeza a questão do conservadorismo merece ser tratada de forma mais aprofundada em outros textos e de fato o assunto deve ser profundamente abordado, por enquanto queria só lembrá-los de passagem rápida como um movimento de forte adesão social por causa da forte ligação desse paradigma social com a religião. Tanto a Igreja Católica como os protestantes em suas variantes durante muito tempo estiveram ligados e na liderança da chamada patrulha de manutenção da fé, da família e dos bons costumes dos homens de bem.

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Acabei de me referir ao conservadorismo chamando-o de “paradigma social” e parece redundante, posto que o conservador queira manter muito status tanto de natureza moral como outros ligados a normas e modelos de vivências já tão desgastados. Já que resta a esses apoiadores impô-los a ferro e fogo. No passado, literalmente, e hoje, bem, quase que literalmente, já que muitos grupos de extrema direita conhecidos por serem muito violentos agem em nome de, ou com certa simpatia dos conservadores “cristãos”.

Isso não é exagero, pois parece que nunca sumiram, mesmo a Ku-klux-klan ou os carecas do Brasil, ou ainda os Integralistas, esses grupos ressurgem de tempos em tempos para assombrar aqueles que dizem que a sociedade precisa de constantes reformas, principalmente nos valores morais. Estou falando dos Progressistas.

Os Progressistas são em última análise o oposto dos Conservadores. É um movimento que aparentemente age com menos paixão e parece espalhado, nem sempre estão de acordo e alguns parecem desejar mais mudanças que outros, no entanto seguem firmes, sempre tentando fazer as mudanças utilizando os meios democráticos e as instituições constituídas.

É evidente que a sociedade brasileira está buscando um caminho e uma guerra de trincheira é travada todo dia entre Progressistas e Conservadores. O governo brasileiro de extrema direita tem ampla vantagem no momento, pois com o poder de algumas ferramentas institucionais pode obter maior alcance com sua propaganda ideológica. Mas ainda assim a guerra se desenrola, não sabemos o que pode acontecer.

Pessoalmente espero que as pessoas sejam progressistas, pois vemos uma Coréia do Norte congelada nos anos 50, um fóssil vivo (ainda), onde o estado dita até o corte de cabelo das pessoas, uma sociedade assim está fadada ao fracasso, pois sua ideologia é destrutiva, pois inverte o objetivo de ser do estado que é servir ao indivíduo, se essa lógica se inverte, como em todo governo fascista, uma crise é inevitável, pois a liberdade é inerente ao homem, somos fadados a sermos livres! A ideia de sermos um país de atores para mostrar ao mundo uma peça de teatro como a Coréia o faz é assustador, não?!

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Disse Constanza Pascolato à Jornalista Camila Coutinho no programa Roda Viva da Cultura sobre manter a individualidade e a personalidade própria: “Eu acho que é a autoestima,… as pessoas precisam se olhar no espelho e serem diferentes todos os dias, terem autoconfiança, a individualidade é um exercício.” Constanza foi uma prisioneira na Itália Fascista de Benito Mussolini e sua família fugiu para o Brasil. Sua história é incrível.

Essa digital influencer de 80 anos que já fez tanta coisa, e sempre esteve em constante evolução sabia o valor da individualidade para o progresso, jamais pensaria em ser conservadora mesmo porque antes do termo feminista ser criado já militava.

Creio que os progressistas avançarão porque justamente sua força resiste em cada um que acredita na transformação contínua da sociedade em algo melhor, respeitando ao máximo os direitos individuais constitucionais e identitários de cada um. Parece utópico, mas vale a pena tentar, e não estacionar no conformismo dos Conservadores.

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

Max Castro

Filosofo de bar, criador de lobos gigantes do além muralha e best friend do Zé Pilintra.

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